Lamento ter de admitir que me deste os melhores trinta dias da minha vida.
Entraram-me na pele e não vão sair.
Foi tudo tão forte, e de tão rápido que foi, mais intenso ainda me parece.
De tal forma que, depois, passaram a existir dois tipos de caminhos: os que percorri POR ti, e os que percorri CONTIGO.
Hoje passei por um de cada um desses tipos.
Por ti, percorri aquele caminho de alcatrão. Feito estúpido, fui à chuva. Os carros passavam por mim à sétima potência da minha velocidade, os condutores provavelmente perguntando-se que raio ia aquele idiota fazer à escola, em tempos de férias de Natal, sob o céu nocturno e chuvoso das seis e meia.
Eles não sabiam e, durante o caminho, nem sequer eu sabia, que estava para receber um beijo inesperado.
Pergunto-me todos os dias porque raio tinhas de tomar a iniciativa. Até para ti seria mais fácil deixares-me se não tivesses feito nada.
Contigo percorri os caminhos que hoje evito percorrer. As pessoas olhavam para nós. Algumas por acaso, outras por curiosidade. E nós ignorávamos.
Eu ignorava tudo nessa altura. Estava cego e surdo para tudo que não fosses Tu.
Hoje chorei quando percorri esses caminhos. Agora, já não estás comigo.
Está tudo bem, até estar sozinho. Porque estar sozinho é tornar concreta a ideia simbólica de que me deixaste depois de me fazeres acreditar que te ia ter para sempre.
E já não sei onde encontrar forças.
Dia 22 de Abril.
Pouco mais de um mês.
Depois desapareces.
Para sempre.
Oh sim, para sempre.
Odeio-te.
Muito mesmo.
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