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The Boy Who Plays With Fire And Dreams About The Moon
"Sabes quem sou? Eu não sei." (Fernando Pessoa)
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Gosto.

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Não gosto.

Não gosto de não te ter por perto.

Não gosto de não te poder dar a mão quando quero.

Não gosto de não poder ver o teu sorriso todos os dias.

Não gosto de não te poder beijar ao acordar e ao deitar, e todas as vezes que me apetecer entre esses dois momentos.

Não gosto de saber que essa situação não está para mudar tão cedo.

Mas porque raio será, então, que a saudade, apesar de dolorosa, é um sentimento estranhamente agradável?

Porque é que as lágrimas que verto por saudade são doces e não salgadas?

Será por saber que todo o ciclo de saudade termina com a euforia do reencontro?

Sim, mas não só, descubro eu após reflectir.

É que, mesmo havendo muita coisa que não gosto, sei que te tenho.

É nisso que confio e acredito, religiosamente.

E disso já gosto.

Perante esse pensamento, que importância pode ter tudo aquilo de que não gosto e que penso incomodar-me?

Nenhuma.


quarta-feira, junho 29, 2011



Rio.

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Aqui estamos, hoje.
Hoje que é o amanhã com que estava preocupado ontem.

Por muito que tentemos iludir-nos com a nossa organização e divisão do tempo em dias, horas, minutos, a vida não tem relógio.
Flui, flui graciosa e gradualmente, como água.
Como um rio.

A forma como as coisas se vão dissolvendo umas nas outras, a forma como a vida nos traz ora uma lua nova ora uma lua cheia, não está nada escondida.
Basta tentar vê-la.

Qualquer um com um rascunho de diário, se relesse os últimos meses, anos da sua vida, poderia encontrar este fio condutor, esta brisa que a vida deixa no ar à medida que corre com o vento.

Uma linha harmoniosa que é linda de contemplar.

Saber de onde vim e pelo que passei para chegar onde estou hoje, para ter o que tenho hoje, faz-me ver que há, que sempre houve, um sentido.

Quero lembrar-me disto.

Por muito que tudo pareça um mar de rosas, o rio vai continuar a correr, e dias menos bons terão de vir.

Quando a escuridão voltar, quero lembrar-me de abrir os olhos um pouco mais e vislumbrar a linha que tem definido o meu percurso.

Quero lembrar-me de acreditar, com todas as forças, que o rio tumultuoso há de desaguar num oceano pacífico.


domingo, junho 12, 2011



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