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The Boy Who Plays With Fire And Dreams About The Moon
"Sabes quem sou? Eu não sei." (Fernando Pessoa)
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Monstro

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Cada olhar meu ainda Te procura.

Cada pensamento meu é, ainda, irremediavelmente dedicado a Ti.

Cada dia permite-me viver vinte e quatro horas que eu desperdiço a viver por Ti, como se algum dia Tu fosses voltar.

Sou recompensado por isso? Sim, claro. Talvez mais do que estava à espera. Talvez mais do que mereça.

Cada sinal que dás, eu analiso.
Cada palavra que dizes, eu não só ouço, como escuto.
Cada gesto Teu, mais do que olhá-lo, eu observo-o.

Cada passo que dás, e a monstruosidade que és fica mais nítida aos meus olhos.

Afinal, a minha análise constante e insistente foi compensada. Aos poucos, os detalhes acertam-se e a Verdade aparece à minha frente. Nua e crua. Como deveria ter sido desde o início.

Pouco resta da doce melancolia de Te ter perdido.

Aos poucos, algo preenche o meu vazio. Algo que não é bom. Algo que, apesar de tudo, me tornou imune às facadas das memórias de Ti, de Nós.

Rancor.

Rancor que corre pelo corpo, mais veloz que o sangue, consumindo cada célula e preenchendo-me de egoísmo.

O monstro trepa para a superfície do meu ser.

Torna-se difícil impedi-lo, principalmente quando ele faz crescer a vontade de te atirar com todas as pedras que se atravessam no meu caminho, ou de te arrancar os olhos, com os dedos ou com os dentes. Ou pior.

Ou talvez seja a vontade de ser como Tu.

Cada olhar meu, ainda Te procura.
Mas, agora, com brilho renovado: o fogo da raiva.


"Show me where it hurts, I will make it worse
(...)
I'm becoming a monster, just like you"


quarta-feira, janeiro 27, 2010



Nem sol, nem luar

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Julgava eu ter encontrado o que procurava sem saber, mas que, quando encontrasse, saberia que era o alvo da minha procura incessante. Não foi desta.

Não, era bom demais para ser verdade. Era perfeito demais para durar. Tal como o sol de Inverno, que rasga por entre as nuvens, para depois desaparecer e deixar-me sob chuva constante.

Durou enquanto durou, porque nada perdura. Até mesmo a chuva tem de parar, quando as nuvens esgotam as suas reservas de água gelada.

Na minha apatia, deixei o tempo passar e o dia virou noite.

Tal como o pôr-do-sol, que dura breves instantes mas deixa a noite ficar durante horas, um afluxo de compreensão trouxe-me um alívio, do qual quase nem lembrava.

Bastaram uns segundos para a minha mente juntar as peças. A imagem que se formou era perfeita e óbvia. Esclarecedora.

Não eras Tu.

Não podias ser Tu aquilo que eu procurava, porque não era eu aquilo que Tu procuravas.
Ou talvez fosse. Mas não da mesma forma que eu procurava.

Não podias ser Tu aquilo que eu procurava, porque eu sei agora que procuro felicidade permanente, por muito consciente que esteja da sua impossibilidade.

Não podias ser Tu. Porque eu mereço algo, no mínimo, menos mau.

Se tudo acabou, de que me serve agora o alívio? Agora, que o vazio se instalou e que já não sei se sei como é sentir. O alívio, por muito reconfortante que seja, não vai mudar o rumo dos acontecimentos.

As memórias voltarão sempre, como se a sua única função fosse provocar inveja pelos breves e bons momentos que agora não são mais do que Passado.

Em fase de Lua Nova, não há lua no céu.

E, agora, os restantes pontos brilhantes do céu nocturno estão para lá das nuvens de inverno, densas e sufocantes.

Pura, absoluta e severa Escuridão.

A caminhada até à fase de Lua Cheia é longa.


sábado, janeiro 23, 2010



Sinto-me sonâmbulo

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Sonâmbulo.

Segunda-feira.
Terça-feira.
Quarta-feira.
Quinta-feira.
Sexta-feira.
Sábado.
Domingo.
Já é segunda-feira outra vez?

Sim, é bem possível que seja.

Afinal, passo os dias a desejar que o tempo passe, apenas para chegar um novo dia e desejar que este também acabe o mais cedo possível. Anseio durante dezoito horas pela hora de dormir.

A dormir não penso. É o mais perto que consigo estar da morte, enquanto não quero cometer suicídio.

Mas só quando acordo é que começam os pesadelos.

Sinto-me sonâmbulo.

Viver passou a ser sinónimo de vaguear. Vaguear à espera que o tempo passe, sem qualquer objectivo ou anseio em partir... apenas que o tempo voe, já que dizem que o tempo cura tudo.

Viver passou a ser sinónimo de evitar todas as memórias de Ti. São boas demais para serem apenas memórias.

E o que levaste contigo não foi menos do que tudo. E o que me deixaste não é mais do que nada.

Ter-Te? Não posso.
Chorar? Não consigo.
Gritar? Para quê?

Ser feliz? Já não quero.

Habituei-me à doce e calma melancolia que faz o corpo relaxar. A felicidade exalta-nos demasiado. Cansa. A infelicidade é um repouso bem-vindo, mas é também um exagero dos ultra-dramáticos.

Porque não limitar-me à apatia?
Porque não confinar-me ao meu sonabulismo?

Decidido estava que assim fosse. Afinal, a apatia é tão fácil. Sozinho ou acompanhado, basta não sentir ou manifestar alegria ou tristeza, sorrisos ou lágrimas. Bastar estar emocionalmente anestesiado.

Se é tudo tão fácil assim... porque é hoje, segunda-feira, voltas Tu para me exaltar de novo?

Porque apareces para deixar a minha mente infantil a rejubilar de esperanças que não podes, nem queres, cumprir?

Porquê tirar-me da apatia?
Porquê acordar-me do meu sonabulismo?

Era tudo tão fácil...

"It's like a can't even feel
After the way you touched me.
I'm not asleep but I'm not awake
After the way you loved me"


segunda-feira, janeiro 18, 2010



Nada perdura. Tudo termina.

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Nada perdura.

E, mais uma vez, insisto em tentar tomar por garantido o que me é mais importante. Como se quisesse agarrá-lo junto a mim para sempre, mesmo sabendo que não existirei para sempre.

E, mais uma vez, vejo que estou a errar.

A cada dia que passa, penso mais e mais na forma como a Natureza criou o seu ciclo imparável e autoritário. A vida convive com a morte, o fim com o início.

Aceito isso. Mas talvez seja essa aceitação que me faz querer agarrar tudo e não largar. Talvez seja a noção do "fim" que me lança numa queda livre pela infelicidade e desespero. Talvez, no fundo, não aceite esse fim.

E de que vale negar o Fim? Ele virá.

E de que vale aceitá-lo? Para ser feliz? Um dia, também a felicidade terá o seu Fim.

E de que valeria a felicidade não ter Fim? Mais tarde ou mais cedo, chegaria o Fim da paciência para a felicidade e daria por mim a desejar a tristeza. Só para quebrar a rotina.

A vida acaba e tudo nela acaba. Acredito. E, porém, continuo a desejar que certas coisas durassem para sempre.

A vida muda e tudo nela muda. Porém, insisto em tentar manter certas coisas imutáveis. Pior: acredito que sou capaz de fazê-lo.

Aí reside o meu erro. Deixo-me enganar pelas minhas próprias expectativas, confiando que algo bom e eterno surgirá.

Porquê "erro"? Porque a auto-ilusão é errada; e nada perdura. Porque, quando tiver de encarar a existência limitada de tudo, maior será a desilusão ao perceber que a sua perenidade é nada mais que uma miragem.

Mas a auto-ilusão conforta-me. Porém, como tudo, ela termina. E, por isso, há que encarar o ciclo.

Tudo termina.

Nada perdura.


sexta-feira, janeiro 15, 2010



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