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The Boy Who Plays With Fire And Dreams About The Moon
"Sabes quem sou? Eu não sei." (Fernando Pessoa)
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Provavelmente impossível.

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É da essência do ser humano querer outro ser humano.

No entanto, como nunca veremos o mundo sem ser pelos nossos próprios olhos, é lógico que, quando queremos alguém, projectamos expectativas nesse ser, as quais são moldadas de acordo com a nossa própria realidade.
(Não será, em boa verdade, que quando amamos alguém, amamos na verdade uma projecção perfeita de nós mesmos?)

Daí advém, pelo facto de cada ser humano viver uma realidade (interna e externa) exclusiva e ímpar, que cada qual ama e quer à sua maneira.

E assim se põe a questão: será possível que as formas particulares de duas certas pessoas amarem podem estar de tal modo ajustadas, como que talhadas à imagem uma da outra, que possa uma relação entre essas duas pessoas perdurar e tornar reais as promessas tontas de amor eterno e compromisso dedicado?
(Note-se que, a ser tal acontecimento possível, há ainda que contar com a ínfima probabilidade de que estas duas pessoas algum dia sequer se cruzem fisicamente.)

Matematicamente, deve ser tão provável quanto jogar, de uma vez, nas lotarias de todos os países do globo terrestre, e conseguir o primeiro prémio em todas.

E se tal fosse possível, como poderíamos reconhecer à partida que aquele era o ser humano feito à nossa medida?

E se pensássemos tê-lo reconhecido e não o deixássemos escapar, como poderíamos, dia após dia, estar certos de aquele esse ser humano era mesmo aquele para quem fomos feitos?
Como poderíamos ter a certeza absoluta de que era a isso que estávamos pré-determinados e de que não estaríamos a deixar a verdadeira criatura feita à nossa imagem escapar-nos?

E se finalmente a tivéssemos encontrado, como poderíamos todos os dias garantir que as nossas formas características de amar não seriam diferentes no dia seguinte, que permaneceriam ajustadas enquanto o tempo e as circunstâncias alteram a essência de cada um?

Mesmo que tudo isto fosse possível, e um dia morrêssemos com essa pessoa do nosso lado, cumprindo as promessas de que só a morte seria o fim, como nos iríamos congratular de ter alcançado tal feito?
Estaríamos mortos.

Como tal, não é honesto para connosco próprios acreditar que isto é possível.

É provavelmente impossível.

Querer tal coisa é pedir demasiado à sorte, e só é saudável superar e suprimir esse desejo.

Há que aceitar que tudo aquilo que começa, assim que começa, começa a caminhar em direcção ao fim.

Só assim, evitando a ansiedade desnecessária e as falsas esperanças, é possível saborear um momento, por mais simples e breve que seja.

Caso contrário, seremos sempre marionetas desta procura sem fim, correndo atrás da nossa própria sombra, como um cão que tenta apanhar a cauda.


sábado, outubro 01, 2011



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