A Vida.
Sim. As minhas últimas 23 postagens foram reflexões sobre a minha vida.
Mas nunca reflecti sobre o que é, afinal, a Vida.
A Vida é uma complexidade de factores que nos permitem afirmar que um dado ser é ou está vivo. Quando um ser está vivo, possui algum tipo de actividade, mesmo que não a vejamos.
Mas essa actividade é temporária.
Isto porque a Vida é uma fase de transição entre duas fases de não-existência: a não-existência antes do nascimento e a não existência depois da morte.
Apesar de ser na Vida que nos sentimos parte da Realidade, essa é a fase mais irreal de todas. É única fase incerta.
Não existíamos antes de nascer, não existeremos depois de morrer. Isto é certo. Entre esses dois acontecimentos, porém, reside um mar de incertezas.
A Vida, pelo menos a humana, é duvidar e desconhecer.
Apesar de ser a única fase onde nunca existe Verdade completa, a Vida é também a única em que a sensação se manifesta.
Viver é sentir. Sentir dor, sentir prazer, sentir um misto de ambos.
Só quem vive é dotado de sensação.
Poder sentir é excelente, indescritível.
Porém, a sensação contribui para detorpar a Razão, o que torna a vida numa fase ainda mais duvidosa, incerta, inesperada.
Só há duas certezas que a sensação nos traz.
Quando sentimos, podemos ter a certeza de que nascemos e de que vamos morrer.
Tanta irrealidade, dúvida, confusão, dá à Vida um ar de sonho, do qual, inevitavelmente, acordaremos um dia.
Ou talvez isto seja apenas a minha vida...
A Vida é uma mentira.
A única verdade é a Morte.
Sometimes it's so crazy
That nothing can save me
But it's the only thing that I have."
A minha alma pesa-me e a minha vida é um estorvo.
Há meses que vivo nisto, que tudo está imóvel.
É como se o Mundo estivesse à espera de algo.
Por vezes, até é como se eu estivesse à espera.
À espera que alguém apareceça...
Ou que algo aconteça.
Hoje fui iluminado e percebi tudo.
Ninguém vai aparecer.
Nada vai acontecer.
Porque tudo está a depender de mim.
Hoje percebi que todo este peso na consciência e todos os presságios de que algo cada vez pior está para acontecer se devem à falta de uma escolha.
Desde que eu entrei em fase abúlica, o meu Mundo parece ter parado.
Logo, ele não é activo. Apenas reage às minhas escolhas.
A solução é simples e estive sempre ali, à minha frente.
Tenho de fazer uma escolha e tomar A Atitude.
Aquela que previa tomar mais tarde.
Como sempre, vivo a querer aquilo que não tenho.
Por muito que discordem, eu não mereço nada do que tenho, precisamente porque quero sempre aquilo que não posso ter.
Talvez A Atitude mude alguma coisa.
Talvez me faça olhar a vida de outra forma.
Talvez seja essa a solução pela qual tenho esperado.
Talvez esteja tudo, finalmente, prestes a mudar.
Eu conheço-me e sei perfeitamente o que vai acontecer, mas nem assim conseguirei evitá-lo.
Aquela Pessoa, que parecia perfeita para Te substituir, revelou-se uma estupidez da mesma dimensão que Tu.
Apesar disso, eu não vou deixar Aquela Pessoa sair da minha cabeça enquanto ela não sugar de mim a vida que ainda me resta. É sempre assim, comigo.
E eu estava a esquecer-Te, juro que estava.
Não bastavas Tu.
Agora há duas facas espetadas no mesmo coração.
O meu.
Nem sei para que é que ela existe.
Talvez seja só mesmo para me deixar ainda mais revoltado com isto a que chamam Vida.
Esperança é imaginar, sonhar.
É viver algo antes de o ter, é senti-lo antes de o conhecer.
Esperança é convencermo-nos a nós próprios daquilo em que nos convém acreditar.
Por muito impossível que seja aquilo em que acreditamos.
Esperança é esperar.
Esperar, acreditando numa mentira.
Esperança é ilusão.
Auto-ilusão, masoquismo, estupidez e ceguira.
Porque a verdade nunca vai de encontro às nossas esperanças.
Porque as esperanças existem para não serem cumpridas, numa tentativa vã de ensinar-nos a não esperar nada.
Há umas semanas, eu vinha a criar uma esperança.
Hoje, ela desmoronou-se e eu percebi o quão estúpida ela era.
Sofri um bocado.
Mas a vida está sempre a tentar deitar-me abaixo e eu estou farto de ceder.
Agora, já não me importo mais.
Quero lá saber!
Vai sempre assim.
Nunca vou aprender a não criar esperanças.
Sou um caso perdido.
A minha Vida vai ser sempre assim.
Nunca vai parar de me desiludir.
É um caso perdido.
Continua a tentar acabar comigo!
A ver vamos se consegues.
Tentei, por várias vezes, mas hoje não consigo.
Estou a escrever ainda pior do que é costume.
Estou mal-disposto, cansado, farto, irritado, insuportável.
Estou farto de ti.
Estou farto desse teu nome.
(Como é que cinco letras conseguem fazer uma combinação tão enervante?)
E estou farto de te dedicar uma letra maiúscula, mesmo sem usar o teu nome.
Sem estar à espera, tu agarraste-me o braço.
Chamaste-me pelo meu nome e depois disseste algo do género:
"Vamos resolver isto entre nós?"
E sorriste.
Esse Teu sorriso...
Conversas, toques, palavras, carícias, mensagens, abraços, discussões.
Não Te ver deixa-me no vazio absoluto, mas ver-Te desperta um frenesim de memórias.
Porquê?
O que é que há de errado para que tudo doa assim tanto?
Talvez isso aconteça porque ainda não enfrentei a realidade.
Talvez porque há vários factos que me recuso a aceitar, mas que digo a mim mesmo que aceitei.
No entanto, se ainda me provocam dor, é porque há algo de anormal nestes factos.
E se não são normais para mim, é porque, no fundo, ainda não os aceitei.
Mas talvez a dor esteja prestes a acabar...
Se encarar os factos, por fim.
1 - Eu amei-Te mais do que alguma vez achara possível.
E possivelmente ainda Te amo.
Porque ainda guardo as palavras que, como estas, escrevi para Ti, mas nunca Te deixei ler.
«És tudo em que consigo pensar, por mais que evite. És tudo em que penso quando penso, és tudo em que penso quando não penso em nada, és tudo em que penso quando fujo dos pensamentos, és tudo em que penso quando os pensamentos fogem de mim.»
«És tudo o que desejo ver quando abro os olhos. És tudo o que consigo ver quando os fecho. Sou surdo para tudo quando ouço a tua voz e sou cego para os outros quando te tenho à minha frente.»
«Queres matar-me? Sim, deve ser isso. Ser tocado por ti é ter um enfarte. Ser privado do teu toque é morrer de depressão.»
2 - Tu nunca me amaste.
E, certamente, odeias-me agora, após Tudo o Que Aconteceu.
Odeias-me porque eu interferi no Teu jogo.
Mas não tens razão.
A partir do momento em que me deixaste, eu não tinha mais de jogar pelas Tuas regras.
Até porque, vim eu a descobrir mais tarde, Tu também quebraste as minhas regras, em Dezembro de 2009.
Parece que foi ontem.
3 - Há vida depois de Ti.
Talvez seja este o facto mais difícil de aceitar.
Talvez eu sofra ao lembrar-Te, só para não Te esquecer, porque entre Nós, pelo menos para mim, houve algo bom demais para ser falso e esquecido.
Talvez sonhe contigo porque o meu inconsciente quer-Te de volta, como as coisas eram antes de eu descobrir que és uma Monstruosidade.
Talvez seja isso o que me falta aceitar para poder acabar com a dor...
Aceitar que acabou.
Tudo.
Aceitar que não vais voltar.
Nunca.
Aceitar que depois de Ti e, principalmente, sem Ti, há mais para viver.
Muito mais.
Ser amado, por exemplo.
Talvez o meu inconsciente tenha parado aí porque não queria ter de decidir sem a ajuda da consciência.
Em consciência, teria virado costas.
Teria ido embora, sem te falar.
Constantemente, imperdoavelmente.
A minha mente devaneia
Em cores e sangue
E beijos e sons
Que mudam a cada segundo.
O dia está marcado no meu calendário.
Tudo depende desse dia.
Tudo gira à volta dele, sem parar.
É uma decisão simples.
Ou Ele escolhe ficar contigo de novo, limpando-me a consciência mas partindo-me o coração, ou Ele escolhe deixar-Te. Como me sabe bem saber que já não O tens, apesar de deixar a minha consciência de rastos.
Mas nada depende de Ti. É Ele que decide o destino do Teu coração, e, por isso, do meu também.
Porém, até ao dia 8 de Março, estou parado.
A única coisa que sinto é um calmo desespero.
Ora estou imóvel, ora estou à Tua procura.
Em contraste, a minha mente não está parada e, ao mesmo tempo, encontra-Te a toda hora.
Estou farto.
Preciso do dia 8 de Março.
Preciso de um estado definitivo.
Não posso ter o coração e a consciência destroçados ao mesmo tempo.
É mais fácil se destruir um deles, deixando o outro viver, no dia 8 de Março.
Talvez fosse ainda mais fácil se Tu desaparecesses para sempre, para que eu pudesse finalmente aceitar que não Te vou ter nunca mais.
Ou talvez fosse ainda mais fácil se eu desaparecesse para sempre.