Lei do sacrifício.
Tudo o que a vida tem de bom, está associado a um custo, a um pré-pagamento, a um sacrifício necessário para transpor barreiras.
Quanto custa amar?
Quanto custa amar-te como te amo?
Custa terem passado três meses, e eu ter vivido apenas nove dias, em pleno.
O resto foram rascunhos de dias, nos quais ia tropeçando com a ansiedade de correr para te ver outra vez.
Custa a sensação que fica, quando já não estás.
O silêncio sufoca-me. Falta-me o teu toque. Não estou completo.
Custa viver com a distância.
Custa ter-te e não te ter.
Mesmo que te tenha, os quilómetros de terra e mar que impedem a minha boca de tocar na tua sempre que eu quero fazem deste Ter um Ter incompleto.
Custa ter de mentir com todas as letras e todos os dentes.
É a única forma de poder ter-te, mas custa.
Custa saber que tu tens de enfrentar tudo isto, tal como eu.
Saber que tens na boca este mesmo sabor, doce e amargo.
Saber que choras as mesma lágrimas que eu.
A vida seria estupidamente mais fácil se nunca me tivesse apaixonado pelo teu sorriso.
Mas que significado pode ter aquilo que é fácil de conseguir?
Há sacríficios que valem a pena.
Há preços que eu pago com um sorriso parvo e infantil estampado na cara, para sempre.
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Amo-te!
Há noites em que minha vontade de não dormir interrompe sonhos tão vis como heróicos. Hoje, é a noite em que meu sono é um amor que dorme sobre o acordar de estrelas, de almas e de outras coisas que já eu nem sei o que são. Mas é nisto em que relembro meu medo - se é na luz em que me vejo ao espelho, é também nela em que reconheço a realidade de existir. Todo o homem é livre quando não tem medo da luz nem do ridículo.