Fecho os olhos, não quero ver nada, não quero que nada me distraia.
Só quero concentrar-me.
Preciso de me concentrar para conseguir ver aquilo que escapa ao olhar.
Faço silêncio, tento sentí-lo.
Lá está ele. De novo.
Lá está ele a acelerar-me o ritmo cardíaco, a apertar-me o peito até que eu sinta a dor física.
O mesmo desespero, lá está ele, de novo.
Sai, desespero.
Sai, brota pelos meus olhos, escorre pelo meu rosto.
Ah, as lágrimas.
Estas são salgadas, são as mesmas de antes.
O desespero, que sempre lá esteve e que agora acordou, soltou-as.
É ele que me envenena a mente, suspirando as coisas em que eu não quero acreditar, mas que ele faz parecer inevitáveis.
"Nada perdura", sussura-me ele, ao ouvido, disfarçando a malícia.
"Sim, tudo acaba. Tudo o que amas está condenado, porque, contigo, as coisas boas nunca duram."
Quando dou por mim, ele já se calou, já não me aperta o coração.
Finge que não está lá, só porque sabe que eu hei de acreditar na ausência dele e que, quando ele voltar, vai doer mais ainda.
Não quero acreditar nessas coisas que ele me diz.
Não quero perder-te.
Quero puxar-te contra mim, agarrar-te e obrigar-te a ficar ao pé de mim, para sempre.
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