O pensamento, que distingue o Homem de todas as outras coisas vivas, trouxe a inovação e o progresso. Será isso bom?
O Homem pensa que sim.
Mas eu também penso em Ti, e isso não faz do pensamento algo bom.
Eu também penso em cada momento que partilhamos num passado que parece ter sido sonhado. E não é esse pensamento que me faz progedir para o futuro, nem tão-pouco me deixa viver o presente.
Eu também penso em ver-Te a arder. E isso não faz do pensamento algo correcto.
Encontrado um caso em que o pensamento é mau, doloroso e errado, não se pode afirmar que todo o pensamento é bom, como o Homem pensa. Se é no pensamento que está a origem da inovação e do progresso, também é nele que se fundamente o mal e a destruição.
Parece-me pertinente perguntar se não seria melhor abolir essa capacidade humana?
Tal como se aboliu a escravatura, porque não abolir o pensamento?
A escravatura fazia com que pessoas inocentes estivessem condenadas a um trabalho torturante que não podiam contestar. O pensamento torna-nos escravos de uma lógica insuportável que é moldada pela sociedade que nos cria, e que não podemos contestar.
E muitas vezes, desse pensamento resultam os actos mais in-humanos.
Se o pensamento foi o combustível da civilização que conhecemos, não virá ele a ser a forca dessa mesma civilização?
Não iremos todos um dia compreender isto e revoltarmo-nos contra a corrente lógica que, sem piedade, nos percorre a mente?
Não seríamos todos mais felizes se não tivéssemos de pensar no que raio é isso de "Felicidade"?
Alexander Pope, poeta inglês