Nada perdura.
E, mais uma vez, insisto em tentar tomar por garantido o que me é mais importante. Como se quisesse agarrá-lo junto a mim para sempre, mesmo sabendo que não existirei para sempre.
E, mais uma vez, vejo que estou a errar.
A cada dia que passa, penso mais e mais na forma como a Natureza criou o seu ciclo imparável e autoritário. A vida convive com a morte, o fim com o início.
Aceito isso. Mas talvez seja essa aceitação que me faz querer agarrar tudo e não largar. Talvez seja a noção do "fim" que me lança numa queda livre pela infelicidade e desespero. Talvez, no fundo, não aceite esse fim.
E de que vale negar o Fim? Ele virá.
E de que vale aceitá-lo? Para ser feliz? Um dia, também a felicidade terá o seu Fim.
E de que valeria a felicidade não ter Fim? Mais tarde ou mais cedo, chegaria o Fim da paciência para a felicidade e daria por mim a desejar a tristeza. Só para quebrar a rotina.
A vida acaba e tudo nela acaba. Acredito. E, porém, continuo a desejar que certas coisas durassem para sempre.
A vida muda e tudo nela muda. Porém, insisto em tentar manter certas coisas imutáveis. Pior: acredito que sou capaz de fazê-lo.
Aí reside o meu erro. Deixo-me enganar pelas minhas próprias expectativas, confiando que algo bom e eterno surgirá.
Porquê "erro"? Porque a auto-ilusão é errada; e nada perdura. Porque, quando tiver de encarar a existência limitada de tudo, maior será a desilusão ao perceber que a sua perenidade é nada mais que uma miragem.
Mas a auto-ilusão conforta-me. Porém, como tudo, ela termina. E, por isso, há que encarar o ciclo.
Tudo termina.
Nada perdura.
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