Sonâmbulo.
Segunda-feira.
Terça-feira.
Quarta-feira.
Quinta-feira.
Sexta-feira.
Sábado.
Domingo.
Já é segunda-feira outra vez?
Sim, é bem possível que seja.
Afinal, passo os dias a desejar que o tempo passe, apenas para chegar um novo dia e desejar que este também acabe o mais cedo possível. Anseio durante dezoito horas pela hora de dormir.
A dormir não penso. É o mais perto que consigo estar da morte, enquanto não quero cometer suicídio.
Mas só quando acordo é que começam os pesadelos.
Sinto-me sonâmbulo.
Viver passou a ser sinónimo de vaguear. Vaguear à espera que o tempo passe, sem qualquer objectivo ou anseio em partir... apenas que o tempo voe, já que dizem que o tempo cura tudo.
Viver passou a ser sinónimo de evitar todas as memórias de Ti. São boas demais para serem apenas memórias.
E o que levaste contigo não foi menos do que tudo. E o que me deixaste não é mais do que nada.
Ter-Te? Não posso.
Chorar? Não consigo.
Gritar? Para quê?
Ser feliz? Já não quero.
Habituei-me à doce e calma melancolia que faz o corpo relaxar. A felicidade exalta-nos demasiado. Cansa. A infelicidade é um repouso bem-vindo, mas é também um exagero dos ultra-dramáticos.
Porque não limitar-me à apatia?
Porque não confinar-me ao meu sonabulismo?
Decidido estava que assim fosse. Afinal, a apatia é tão fácil. Sozinho ou acompanhado, basta não sentir ou manifestar alegria ou tristeza, sorrisos ou lágrimas. Bastar estar emocionalmente anestesiado.
Se é tudo tão fácil assim... porque é hoje, segunda-feira, voltas Tu para me exaltar de novo?
Porque apareces para deixar a minha mente infantil a rejubilar de esperanças que não podes, nem queres, cumprir?
Porquê tirar-me da apatia?
Porquê acordar-me do meu sonabulismo?
Era tudo tão fácil...
"It's like a can't even feel
After the way you touched me.
I'm not asleep but I'm not awake
After the way you loved me"
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