Julgava eu ter encontrado o que procurava sem saber, mas que, quando encontrasse, saberia que era o alvo da minha procura incessante. Não foi desta.
Não, era bom demais para ser verdade. Era perfeito demais para durar. Tal como o sol de Inverno, que rasga por entre as nuvens, para depois desaparecer e deixar-me sob chuva constante.
Durou enquanto durou, porque nada perdura. Até mesmo a chuva tem de parar, quando as nuvens esgotam as suas reservas de água gelada.
Na minha apatia, deixei o tempo passar e o dia virou noite.
Tal como o pôr-do-sol, que dura breves instantes mas deixa a noite ficar durante horas, um afluxo de compreensão trouxe-me um alívio, do qual quase nem lembrava.
Bastaram uns segundos para a minha mente juntar as peças. A imagem que se formou era perfeita e óbvia. Esclarecedora.
Não eras Tu.
Não podias ser Tu aquilo que eu procurava, porque não era eu aquilo que Tu procuravas.
Ou talvez fosse. Mas não da mesma forma que eu procurava.
Não podias ser Tu aquilo que eu procurava, porque eu sei agora que procuro felicidade permanente, por muito consciente que esteja da sua impossibilidade.
Não podias ser Tu. Porque eu mereço algo, no mínimo, menos mau.
Se tudo acabou, de que me serve agora o alívio? Agora, que o vazio se instalou e que já não sei se sei como é sentir. O alívio, por muito reconfortante que seja, não vai mudar o rumo dos acontecimentos.
As memórias voltarão sempre, como se a sua única função fosse provocar inveja pelos breves e bons momentos que agora não são mais do que Passado.
Em fase de Lua Nova, não há lua no céu.
E, agora, os restantes pontos brilhantes do céu nocturno estão para lá das nuvens de inverno, densas e sufocantes.
Pura, absoluta e severa Escuridão.
A caminhada até à fase de Lua Cheia é longa.
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