Aqui estamos, hoje.
Hoje que é o amanhã com que estava preocupado ontem.
Por muito que tentemos iludir-nos com a nossa organização e divisão do tempo em dias, horas, minutos, a vida não tem relógio.
Flui, flui graciosa e gradualmente, como água.
Como um rio.
A forma como as coisas se vão dissolvendo umas nas outras, a forma como a vida nos traz ora uma lua nova ora uma lua cheia, não está nada escondida.
Basta tentar vê-la.
Qualquer um com um rascunho de diário, se relesse os últimos meses, anos da sua vida, poderia encontrar este fio condutor, esta brisa que a vida deixa no ar à medida que corre com o vento.
Uma linha harmoniosa que é linda de contemplar.
Saber de onde vim e pelo que passei para chegar onde estou hoje, para ter o que tenho hoje, faz-me ver que há, que sempre houve, um sentido.
Quero lembrar-me disto.
Por muito que tudo pareça um mar de rosas, o rio vai continuar a correr, e dias menos bons terão de vir.
Quando a escuridão voltar, quero lembrar-me de abrir os olhos um pouco mais e vislumbrar a linha que tem definido o meu percurso.
Quero lembrar-me de acreditar, com todas as forças, que o rio tumultuoso há de desaguar num oceano pacífico.
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