Tão estúpida é a nossa noção do tempo.
Tão estúpida, mesmo quando o compartimentamos organizadamente em dias, semanas, meses, anos.
Tão estúpida, pois só agora, nos derradeiros dias de 2010, é que reflicto que este ano foi de facto o 2010º e que está a chegar ao fim.
Acho que o frio me faz pensar mais nestas coisas.
Hoje percebi o quão próximo estou de perder algo que amo.
Sim, já estamos em 2010, pensei eu hoje, percebendo as implicações. Não deve durar muito mais.
Chorei, como já não chorava há muito.
Não era só de tristeza, por saber que cada vez está mais perto o dia em que vou perder esse algo que tanto amo.
Era revolta. Por saber que não consigo, por mais que queira, travar a marcha autoritária do Tempo.
Era pânico. Por saber que passo metade da vida a querer avançar os dias, e outra metada a querer retroceder.
Era desespero. Por saber que, provavelmente não tão cedo, vai chegar o dia em que, inevitavelmente, vou perder outras coisas que amo.
Mas viver é mesmo assim, porque o tTempo não tira férias.
Viver é perder.
Há certos momentos, efémeros e raros, em que ganhamos, mas o saldo da vida é sempre negativo.
Tudo porque a vida é rápida demais.
E porque, quando nos damos conta disso, o Momento já passou.
É tarde demais.
A areia na ampulheta do Tempo cai sempre. Não pode parar.
Afinal de contas, obedece à Lei da Gravidade.
Por isso é que a areia nos escorrega pelos dedos.
E quando nos damos conta, tentamos agarrá-la.
Em vão.
Mas porque é que ainda estou aqui a escrever?
Mas porque é que tu aindas estás aí a ler?
Não há tempo a perder.
Vamos viver antes que a areia se esgote.
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